Um País menos desigual: Pobreza Extrema aumenta á 35% da População
O que está por trás da crise que aumentou a taxa de extrema pobreza no Brasil
Mesmo sendo a 11ª cidade mais rica do país, nos últimos anos a população
de campinas e região vem sofrendo com o grande aumento da pobreza que se
estendeu no Brasil. Campinas hoje é o 14° município com maior população no
Brasil. Segundo a própria prefeitura de Campinas, no ano de 2017, haviam 4.9
mil famílias em estado de pobreza na cidade. Em 2016 eram 4.8 mil famílias.
Por conta da crise que tem se estende pelo Brasil, a situação dessas famílias
tem se agravado a cada dia, graças ao alto número de desemprego, e acabam
dependendo apenas do auxílio que o governo oferece. São eles o Bolsa Família que
é no valor de R$39,00 por criança (existe um limite de até 5 crianças por família
para se receber esse benefício), há casos de vinculação de adolescentes de 16 e
17 anos nesse auxilio e o valor é de R$46,00 por adolescente (só é permitido essa
vinculação se houver apenas dois adolescentes no lar). Além do Bolsa Família, as
famílias e Campinas contam também com a ajuda de R$86,00 do cartão-nutrir.
Segundo dados da Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência e Inclusão
Social, no ano de 2013 haviam 71.589 famílias cadastradas no auxilio fornecido
pelo governo, vale ressaltar que 58% das famílias inscritas viviam em estado
de pobreza, ou extrema pobreza, ganhando no máximo R$154,00 per capita.
Em 2014 esse número caiu para 54% e em 2015 esse número caiu para 49%,
porém no ano de 2016 esse número voltou a aumentar e foi totalizado
aproximadamente 25.000 mil famílias em estado de pobreza. Nesse mesmo
ano Campinas recebeu um percentual de 35% de extrema pobreza, o que foi
considerado um número bem grande de famílias que passou e vem passando
dificuldade. É considerado extrema pobreza famílias que tem a rende de até
R$93,00 e considerado pobreza as que possuem a rende de até R$186,00.
Os moradores de Campinas estão passando por situações precárias, Adriano
de Almeida Tavares é um exemplo vivo disso. Aos 22 anos de idade encontra-se
desempregado, pagando 800 reais de aluguel, fora as demais despesas. Em
uma breve entrevista com o mesmo, foi relato alguns momentos difíceis que
ele tem passado por não conseguir um emprego para pagar as suas contas. “É
muito difícil você chegar no final do mês e não ter 1 real no bolso, mais difícil
ainda é ter que escolher qual conta seria a mais importante a ser paga. Existem
meses que várias contas ficam sem ser quitadas para eu conseguir pagar meu
aluguel e não ir morar na rua”. Não tem sido fácil para ninguém viver no Brasil
nesse momento de tanta crise, que só tende a piorar com o passar dos anos.
Adriano afirma que antes da crise o afetar ele vivia muito bem, conseguia pagar
todas as contas, pagar o aluguel e ter uma compra do mês farta de coisas boas.
“Para quem tinha uma vida bem estável, hoje eu estou à mercê a vida, não
dá para mim saber o que acontecerá comigo no dia seguinte muito menos no
mês seguinte”. Adriano afirma também que tem enviado muitos currículos nas
empresas de Campinas, porém não tem dito nenhum retorno, nem se quer para
fazer uma entrevista.“Meu sonho é ter uma família formada, mas agradeço por ainda não a possuís pois, seria para mim uma vida muito mais dolorosa”, finaliza. Assim como Adriano esse é o caso de muitos outros campineiros como o de Suhelem Gonzaga que hoje encontra-se desempregada, não possui casa própria e é também pagadora de aluguel. Suhelem recebe do governo o auxílio bolsa família, o seu marido saiu recentemente da prisão e ela ainda tem uma filha de 8 anos para sustentar. Conversamos com ela e foi nos relatado alguns fatos sobre esse período em que a crise se alojou em sua família, e também as suas dificuldades que tem enfrentado ao longo desses dias que infelizmente ainda não terminou. Desempregada há três anos, ela nos conta como tem feito para sobreviver e como tem feito para conseguir a sua renda “Minha família tem hoje uma renda de mais ou menos 600,00 reais, porque eu faço “bico” de manicure aos sábados, e aí eu tiro por dia dessas unhas que faço uns 80,00 reais e tem algumas vezes que consigo tirar 100,00 reais. E também quando pedem eu faço um bolo para aumentar a minha renda. E essa é a minha forma de ganhar dinheiro, só que aí infelizmente eu acabo vivendo da ajuda de algumas pessoas próximas a mim, pois esse dinheiro não supri todas as minhas necessidades e nem da minha família”. Diferente de Adriano ela tem uma filha e há tempos tem feito muitos sacríficos para cria-la com toda a assistência possível, como foi já foi falado Suhelem recebe o benefício Bolsa Família, mais infelizmente o valor fornecido não a ajuda muito, na verdade não a ajuda em praticamente nada. “ Eu ganho 39,00 com o bolsa família e isso não paga nem o gás da minha casa”.
É muito triste a vida que muitas família tem levado por conta de tudo isso que vem acontecendo em nossa cidade e também em nosso pais, imagine só você ter que deixar de comer para dar a seus filhos, pois não tem para todos vocês comerem ou então fazer escolhas entre uma conta e outra onde na verdade todas precisariam ser pagas. A verdade é que as pessoas que se encontram nessa situação têm feito escolhas muito difíceis ao longo de suas vidas e são escolhas muita das vezes dolorosas demais. Suhelem falou também que muitas vezes deixa de se alimentar pela manhã para que sua filha tenha o que comer e não precise ir para a escola com fome. Um comparativo feito pela própria entrevistada de como era a sua vida antes da crise a afetar, nos mostra como ela vivia bem e tinha uma vida muito estável. “Antes da crise minha vida era boa, eu tinha um emprego registrado (Carteira Assinada), um salário que dava para mim viver, pagar meu aluguelzinho, não precisava passar humilhação de ficar implorando a ajuda das pessoas, porque infelizmente a gente acaba passando hoje em dia né”.
(Reprodução: Acervo Pessoal)
Durante a reportagem, conhecemos a história de Dona Fátima teve que recomeçar
do zero por conta da crise que chegou em sua casa. Ela conta é enfermeira, mais
infelizmente hoje não exerce mais sua profissão. Quando perdeu o emprego há
alguns anos ela teve que dar um jeito no caos que estava a sua vida naquele
momento, e como não conseguia emprego de forma alguma optou por começar
a “catar” reciclagem. Uma reviravolta muito grande na vida de uma pessoa
que estudou mais infelizmente teve que prosseguir com a vida. “Não dá para
sentar e esperar a crise acabar, tive que fazer alguma coisa porque senão
eu não teria o que comer no final do dia”. Dona Fátima aprendeu muito com
tudo o que vem acontecendo em sua vida e diz que independente de qualquer
coisa ela não tem do que reclamar, pois tem vida, e enquanto a vida há muita
esperança. Ela fala sobre o choque de realidade que teve ao começar a reciclar,
pois é um mundo totalmente diferente do que estava costumada, e adaptação
foi um pouco longa.
“Você tem noção do que começar tudo do zero para mim que tenho 63 anos? Eu sei que ao longo da vida eu conquistei minha casa, minha estabilidade e também dei uma vida de muito conforto para os meus filhos, mais eu cheguei a um ponto de me perguntar como conseguiria que tudo continuasse da forma que sempre foi mais isso não foi possível, tive que me refazer, aprender a trabalhar em algo que nem nos meus piores sonhos trabalharia. É um trabalho digno eu sei disso, porém não é aquilo que eu tanto almejei para a minha vida. Em uma roda de conversa com o sociólogo e professor Cauê Campos, conversamos sobre os motivos da crise, como ela afetou e afeta os trabalhadores e como fazer para sair da crise e acabar com a pobreza. Segundo Cauê, há duas questões que são fundamentais da gente entender no Brasil e podemos usar Campinas como um ótimo exemplo para pensar nisso. A primeira é que “o Brasil é um país que a sua estrutura é baseado na escravidão, então veja só, o Brasil ele acaba com a escravidão e fez agora 130 anos que abolimos em forma de lei, é muito recente, se a gente pensar que o Brasil tem 500 anos e pensar na história da humanidade, 130 anos é uma fagulha então ainda está encrustado na sociedade brasileira o histórico da escravidão, não tem como você entender a desigualdade brasileira sem entender a escravidão porque mesmo quando acaba ela não acaba com a inclusão do negro, muito pelo contrário, se marginaliza o negro, se deixa o negro de lado”. Conhecido como teoria do embraquecimento, “se traz os emigrantes europeus para o trabalho livre numa ideia que o trabalhador negro seria incapaz para o trabalho livre, para tentar preencher esse vácuo que existia no Brasil, então você tem uma dupla marginalização do negro, quando você acaba com a escravidão no Brasil não tem uma inclusão do negro na sociedade. E eu falei que é importante porque Campinas foi a última cidade a abolir a escravidão e no século XX ainda existia a escravidão em Campinas. O Brasil é um país extremamente racista e Campinas é uma cidade historicamente racista, percebemos isso ao andar em Campinas, a população negra não está no centro da cidade e sim nas periferias e nos lugares afastados do centro e isso é resultado da exclusão que teve em Campinas, isso é estrutural e não tem como falar de desigualdade sem falar de racismo e da escravidão”. O próximo ponto, segundo Cauê, é o capitalismo pois para ele “é estruturante do capitalismo a desigualdade, o Brasil como um país periférico produz isso mais forte ainda. Os países centrais do capitalismo como EUA, Canadá ou países da Europa ocidental tem uma desigualdade muito inferior ao do nosso país, isso porque eles vivem muito do lucro das grandes empresas. O Brasil é um país periférico e tem um capitalismo atrasado, então é necessário entender que a estrutura do Brasil é pautada nesses dois elementos, uma sociedade capitalista desigual e periférica e uma escravidão muito tardia”. A região metropolitana de Campinas é uma região industrial que não para de crescer, mas mesmo assim, o desemprego e a pobreza disparam na região.
Questionado o porquê de as pessoas não saírem do aperto, Cauê disserta: Não saímos do aperto porquê a gente vive em uma sociedade baseada no consumo em que ter é mais importante do que qualquer outra coisa, com isso as coisas se tornam cada vez mais caras e as pessoas se endividam. No Brasil você ainda tem uma política de crédito que não existe em outros países, muitos parcelamentos, empréstimos e isso cada vez mais. Você ainda tem uma ideia de que todos são de classe média e todos são consumidores, isso é mentira, grande parte é excluída, mas uma parcela dessa população se endivida para conseguir consumir e esse é um grande problema. Para acabar definitivamente com a pobreza e a miséria, [precisamos de] revolução, acabar com o capitalismo, uma reestruturação. Se a gente quer diminuir isso precisamos de reforma tributária, reforma urbana, reforma agrária, taxação das grandes fortunas e com tudo isso a gente pode começar a transformar, agora isso são paliativos a grande prazo, não é uma solução imediata, mas a longo prazo essas reformas funcionam, porque para acabar com a desigualdade de uma vez é pôr fim a propriedade privada e o controle público sobre a produção. Ainda durante a conversa, Cauê fala sobre as reformas atuais propostas pelo governo. Segundo o Sociólogo, primeiro deve se separar pois há uma confusão no Brasil, onde tudo é se chama “reforma”. - Peguemos os exemplos da Reforma da Previdência e a Reforma Agrária, mas uma visa destruir a previdência social e a outra visa redistribuir as terras no Brasil. As duas se chamam “reforma”, mas uma é “contrarreforma”. Segundo um exemplo de um professor, se eu tenho uma casa, eu faço uma reforma para ficar melhor e não para destruí-la. A reforma da previdência faz exatamente isso, ela destrói a previdência social, então não dá para chamarmos isso de reforma, se falarmos isso, é ruim. Devemos chamar a reforma da previdência, a reforma trabalhista de “contrarreforma”, agora, a reforma agrária, reforma urbana, reforma tributária, são reformas positivas. Não são soluções aos problemas e ajudarão a diminuir a desigualdade no Brasil. Resolve o problema da má distribuição de renda no país e emendou sobre o que deve ser feito para diminuir a pobreza que assola o pais: como já citado: a taxação de fortunas, tributação progressiva, um plano de obras seria fundamental pois o Brasil está carente de escolas, de saúde, de várias outras coisas que só um plano de obras resolveria.
O aumento do salário mínimo é importante, acompanhado de uma melhor gestão da previdência. Há várias formas de melhorar as condições de vida e não dar muletas às pessoas ou como funciona o Bolsa Família, que é um programa que é e foi importante, mas não compre sua totalidade, precisamos gerar emprego e dar condições das pessoas ganharem mais com esses empregos e afins. Precisamos do fortalecimento do serviço público, fortalecer as escolas, os hospitais para que as pessoas consigam ter melhores condições de vida e de trabalho. Esses são os dois eixos que precisamos fazer.
Max Nunes disse uma vez: “O Brasil precisa explorar com urgência a sua riqueza, porque a pobreza não aguenta maia ser explorada” e isso é a grande realidade para muito de nós nos dias de hoje. Não é difícil ser pobre, difícil mesmo é ser pobre no Brasil onde direitos são corrompidos, a ajuda nunca são às classes baixas. Dizem que Brasil é um pais sem lei, porque aqui os políticos fazem o que bem entendem. Sem lei? Nunca foi. A verdade é que eles ditam as regras , regras essas que só os satisfazem e satisfazem quem mesmos precisam enquanto as pessoas que realmente clamam por ajuda ficam à merce da vida injusta que lhes são impostas.
(O Sociólogo e professor Cauê Campos (Reprodução: Vitória Gertrudes)
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Nome: Cássia Francisca dos Santos D3899A-1
Nome: Daiane Forato
Nome: Mykael Marciano Martins D23FAD-O
Nome: Thaís Fanti Bicudo D24509-0
Nome: Vitoria Fernanda Elias Gertrudes D335BC-0

Parabéns pelo trabalho! Infelizmente a crise em que vivemos vem nos prejudicando de uma tal forma que procuramos meios para sobrevivermos.
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